Itaipu Binacional, a maior usina geradora de energia do mundo, até que a chinesa Três Gargantas complete o seu projeto, com 20 unidades geradoras e 14 mil MW de potência instalada, fornece mais de 16% da energia consumida no Brasil e mais de 70% do Paraguai, que é sócio no empreendimento.
Esta UHE produziu quase 86 milhões de megawatts-hora, em 2010. Seu recorde histórico de produção ocorreu em 2008, no auge do crescimento econômico pré-crise, com a geração de quase 95 milhões MWh.
Apesar de suas dimensões gigantescas, conceitualmente, Manutenção na Usina de Itaipu não é diferente de outras empresas do setor elétrico brasileiro, como resume Marco Cesar Castella, superintendente Adjunto de Manutenção. “Ela se destaca pelo esforço sistemático aplicado na rotina de planejamento, programação e execução, pautado pelos procedimentos previamente estabelecidos”, resume.
Em Itaipu, Manutenção Preventiva, destinada à prevenção de falhas nos equipamentos e estruturas, é composta pela Manutenção Preventiva Aperiódica (MPA) e pela Manutenção Preventiva Periódica (MPP). A principal derivação da MPA, diz Castella, é a Manutenção realizada sob condição do equipamento determinada pela análise da evolução de parâmetros físicos especifi cados para indicar o momento exato da intervenção.
Este tipo de Manutenção é aplicado em aproximadamente 10% dos equipamentos mais críticos para a produção, exigindo um grande investimento financeiro na instalação de sistemas de monitoramento online dos parâmetros eleitos, explica o superintendente adjunto. “Os investimentos podem ser facilmente revertidos com a prevenção eficaz de falhas, resultando em intervenções objetivas e responsáveis por, aproximadamente, 1% do tempo total dedicado à Manutenção”, resume.
As principais técnicas preditivas aplicadas na usina de Itaipu são monitoramento de temperatura, vibração e entreferro nas unidades geradoras; monitoramento de descargas parciais na subestação isolada a gás SF6; monitoramento do desvio de capacitância das buchas de alta tensão nos transformadores principais e da subestação; monitoramento de temperatura, velocidade, deslocamento e resistência de contato em disjuntores da subestação isolada a gás SF6; aquisição de dados e controle dos equipamentos eletromecânicos da usina de Itaipu (SCADA) e aquisição de dados dos instrumentos de auscultação das estruturas da barragem e da casa de força (ADAS).
A MPP é determinada pelo acompanhamento da degradação dos equipamentos e estruturas. Esse tipo de Manutenção é aplicado em aproximadamente 90% dos equipamentos ligados, direta ou indiretamente, à produção. “É o tipo de Manutenção que requer o maior investimento de tempo dedicado às intervenções”, diz Castella.
A MPP dos equipamentos e estruturas de Itaipu é realizada desde 1984 e os valores resultantes de medições são coletados, armazenados e analisados, compondo o histórico de Manutenção. Com base nesse histórico e no esforço analítico para estabelecer a lei de degradação, foi estruturado o plano de Manutenção que estabelece o que, quando e como os equipamentos devem ser inspecionados e quem é o responsável por tal inspeção.
Segundo Castella, o plano de MPP “é dinâmico e não deve ser arbitrado porque evolui com as melhorias introduzidas, com a atualização tecnológica, com a utilização de novos materiais, com a obsolescência e o envelhecimento dos equipamentos, devendo ser objeto de estudo criterioso antes de se promover qualquer alteração”.
Atualmente a MPP semestral (6M) de Unidades Geradoras é planejada para ser realizada com nove horas úteis, a anual (1A) com nove dias úteis, a bienal (2A) com onze dias úteis e a quadrienal (4A) com treze dias úteis. “Estes tempos padrão são os principais influenciadores do fator de indisponibilidade programada, que significa o percentual de tempo que o equipamento deliberadamente foi colocado fora de operação para realizar a Manutenção”, explica.
Fazem parte das MPPs (anual, bienal e quadrienal), atividades de rotina que envolvem, também, funcionários da Superintendência de Gestão Socioambiental, como o resgate de peixes retidos nos condutos forçados e o monitoramento do mexilhão dourado.
Como informa o superintendente adjunto de Manutenção, as operações de resgate de peixes, iniciadas em 1987, têm tido um êxito médio superior a 90% dos exemplares resgatados devolvidos, íntegros, ao ambiente de origem. O monitoramento do mexilhão dourado tem demonstrado sua redução gradativa na água bruta de geração e de arrefecimento, o que, apesar da espécie ser exótica, demonstra estagnação da colonização tendendo ao reequilíbrio.
Matheus Romero Neto, da área de Meio Ambiente da usina, explica que espécies invasoras, em especial as aquáticas, são difíceis de ser eliminadas e deve-se agir de maneira sempre preventiva. “Em nosso caso, como se trata de uma espécie filtradora, ou seja, seu desenvolvimento tem relação direta com a qualidade das águas, atuamos de maneira intensiva em ações que visem a melhoria e/ou Manutenção da qualidade de nossas águas, através de nosso Programa de Gestão Ambiental Cultivando Água Boa”, informa Romero.
A MPP 2A de Linhas de Transmissão 500kV é planejada para ser realizada com uma hora útil destinada ao vão da linha e a 4A com dois dias úteis para a linha como um todo. “A MPP 1A é realizada com os equipamentos energizados e não há impacto no fator de indisponibilidade programada”, diz Castella.
A MPP 2A dos Transformadores 500/220kV da subestação da margem direita é planejada para ser realizada com dois dias úteis e a 4A com três. A MPP 1ª é, também, realizada com os equipamentos energizados, sem impacto no fator de indisponibilidade programada.
Fonte: Revista Manutenção